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sábado, 4 de junho de 2011

31 de maio de 1962 - A execução de Adolf Eichmann

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de junho de 1962


"Diz-se que etmologicamente o nome Eichmann significaria o mesmo que o Everyman do poema inglês: isto é, Cada Homem, ou melhor, Todos os Homens. Seja como for, a terrível verdade é que um pouco de Cada Homem foi enforcado com Adolf Eichmann. Como um pouco de Cada Homem suicidou-se com Adolf Hitler. Num caso e no outro, foi punido e puniu-se o que há de mais sinistro no ser humano. Mas, por outro lado, não um pouco, porém muito, de cada um de nós, do que temos de maior e melhor foi assassinado nos seis milhões de vítimas desses dois homens...". Jornal do Brasil

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 1º de junho de 1962 - página 2



O alemão e ex-Coronel da Gestapo Adolf Eichmann foi enforcado na prisão de Ramleh, em Israel, como responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).



Capturado pelas tropas americanas no final do conflito mundial, Eichmann conseguiu fugir da prisão um ano depois. Após circular por diversos países clandestinamente, chegou à Argentina no início da década de 50, onde viveu, sob identidade falsa até ser raptado pelo serviço secreto israelense em 1960, que o levou para ser julgado em Israel, onde foi sentenciado à pena de morte.

O carrasco alemão - sem remorso e proclamando-se inocente até o fim - teve seu pedido de clemência negado pelo Presidente de Israel, Itshak Ben-Zvi, e não conseguiu, como pretendia, obter a intervenção da ONU para a sua salvação. O enforcamento se fez pouco menos de uma hora depois de rejeitado seu pedido.
Além de crimes contra o povo judeu e a humanidade, foi responsabilizado por deportações, pilhagens e extorções.


O gesto extremo de Israel
Não se pode dizer que a execução de Eichmann tenha sido uma catarse do mais terrível drama da história da humanidade. Mas não há dúvidas que o processo de sua condenação e morte tenha causado forte impacto na consciência humana. A opinião pública mundial dividiu-se diante da postura de Israel, de cujo ato extremo não abdicou. Mas afinal, como julgar o ato de um povo mutilado de seus pais, irmãos, maridos, esposas, filhos e amigos, cruelmente silenciados, humilhados, violados, torturados e mortos sob o comando do mais frio e calculista exterminador que já surgiu na espécie humana?

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